SCM Music Player

Mostrando postagens com marcador governo federal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador governo federal. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de julho de 2015

Aumento na tarifa da energia triplica calote na conta de luz

O tarifaço aplicado pelo governo nas contas de luz ao longo do primeiro semestre do ano já triplicou o crescimento da inadimplência no setor. Com aumentos nas tarifas superiores a 50% em algumas regiões do País, a expansão dos calotes nas faturas saltou de uma variação média de cerca de 6% no começo do ano para 17,35% em junho, na comparação com os mesmos meses de 2014. A preocupação das distribuidoras de energia é que esse problema resulte no crescimento de outro: os furtos de energia, popularmente conhecidos como "gatos" na rede elétrica.


De acordo com dados do SPC Brasil, a falta de pagamento de contas de luz já respondia por 6,47% das dívidas dos brasileiros no mês passado. Essa é a maior participação do setor no total de calotes desde quando a entidade passou a acompanhar os dados, em janeiro de 2010. Na época, os atrasos nas faturas de eletricidade representavam apenas 2,53% da inadimplência no País.

"Além do aumento nas tarifas, o cobertor está cada vez mais curto devido ao aperto na renda e à alta dos juros. Com isso, os consumidores estão atrasando até faturas essenciais, que acarretam o corte de serviço, como é o caso das contas de luz. Nesse cenário, é ainda mais importante que as famílias reavaliem seus orçamentos e economizem eletricidade, evitem o desperdício", avalia a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

E pior do que o crescimento dos débitos em aberto no setor, as dívidas mais longas estão cada vez mais frequentes. O levantamento do SPC Brasil mostra que 71,98% dos atrasos nas faturas se referem a contas de luz vencidas há mais de 90 dias, prazo após o qual as companhias de eletricidade cortam o fornecimento. E como se trata de um item básico nas residências, sempre que um movimento desses é detectado, ocorre um aumento nas chamadas "perdas não técnicas" de energia, ou seja, nos gatos nas redes.

— Esse é o pior dos mundos. Com a dívida acima de 90 dias, além do corte de energia o consumidor passa a ficar com o CPF negativado. E ele pode até conseguir fazer um gato na rede de luz, mas não consegue fazer um gato para comprar qualquer mercadoria a prazo", alerta Marcela. "O importante é tentar renegociar a dívida.

Os dados mais recentes da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) mostram que a porcentagem desses gatos nas redes das elétricas vinha caindo lentamente ou mantendo-se constante entre 2010 e 2014 para praticamente todas as distribuidoras.

Cada região do País tem um porcentual diferente de furtos apurados pelas empresas, e a Região Norte apresenta os piores resultados. Mas como o tarifaço deste ano foi maior para os consumidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, as companhias temem uma deterioração dos indicadores de perdas nessas regiões, que hoje são as mais eficientes em conter os furtos.

Para a Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), as companhias precisam aumentar a fiscalização para que falta de pagamento não resulte em ainda mais prejuízo com o furto de eletricidade. "Não existe um patamar melhor ou pior de inadimplência. Sempre é ruim. E quando aumenta isso significa mais trabalho e mais custo para as empresas para evitar um transtorno ainda maior", avalia o presidente da entidade, Nelson Leite.



R7.com

terça-feira, 11 de novembro de 2014

10 PROMESSAS DE DILMA QUE NÃO ESTÃO SENDO CUMPRIDAS - Comentários: Elielson Rezende

Ninguém sabe ao certo quais as pretensões de Dilma para o Brasil nos próximos quatro anos. E falar apenas na Presidente seria isolar sua gestão, minúscula, dos atos elaborados e praticados pelo Partido dos Trabalhadores.

As promessas de Dilma, tanto quando concorreu ao primeiro mandato quanto no segundo, beiram a irracionalidade em relação às possibilidades de serem executadas. Vamos listar algumas e comentar.

1- Erradicação do analfabetismo: Em 2014, o Brasil ficou em 38º entre 40 países que tiveram a educação avaliada pela Economist Intelligence Unit, em ranking encomendado pela empresa Pearson.
Além disso, no PT que administrou o país tivemos um analfabeto funcional como Presidente que afirmou, em vídeo, ter preguiça até de ler.

2- Instalação de internet banda larga em todas as escolas públicas: Vamos lá. No Brasil, pagamos valores altíssimos pelos serviços de internet. Imagina o custo de se instalar equipamentos para cobrir com sinal de internet a área de uma escola. Agora multiplique este valor pela quantidade de escolas no Brasil inteiro. Caro, não? Caro e totalmente fora da realidade brasileira. Não adianta ter internet banda larga nas escolas se nestes lugares não existem equipamentos adequados para sua utilização. Isso serviria apenas para que os estudantes perdessem mais tempo postando selfies no Facebook e batendo papo no WhatsApp.

3- Ampliação e consolidação do Bolsa Família: Este talvez seja o tema de maior relevância no governo de Dilma. Caso o programa seja ampliado, poderemos triplicar o número de pessoas que não trabalham no Brasil. Nós não vamos produzir o que devemos para manter nossa economia, que já não anda bem das pernas. Os poucos que trabalham já sustentam os que passam o dia deitados ou fazendo filhos para aumentar o benefício. Mas o que nos deixa mais tranquilos é o fato de que o anúncio do fim da Bolsa Família foi feito pelo governo do PT logo após as eleições. Ou seja, Dilma enganou seus eleitores e agora vai deixá-los sem emprego, já que estão fora do mercado de trabalho e sem perspectiva nenhuma de sustentar seus mini luxos bancados pelo programa. Como a Sociologia explica e prova, pobre desempregados, na maioria das vezes, entra na vida do crime. Será o maior aumento da bandidagem na história deste país.

4- Construção de 2 milhões de novas moradias: Este assunto é delicado. ela fez esta promessa baseada no programa Minha Casa Minha Vida. Pois bem. Nem 1/3 das casas do programa foram concluídas, e as que foram já estão desabando. Um exemplo que podemos tomar é a área reservada para estas casas que fica localizada no município de Santarém-PA. As casas foram construídas sem qualquer estrutura. As ruas viram verdadeiros rios quando chove. A cidade tem um clima muito quente, mas o governo teimou em colocar aquecedores de água nas casas. Coisas sem sentido que desafiam a inteligência de qualquer um que tenha o mínimo de estudo. Mais um programa que não deu certo e custou bilhões de reais ao bolso do contribuinte.

5- Erradicação da miséria: Esta promessa é um chute no saco do brasileiro. Dos 26 Estados mais o Distrito Federal, 17 tiveram um aumento do número de pessoas em situação de pobreza extrema. Por mais incrível que pareça, São Paulo é o que mais apresentou miseráveis entre 2012 e 2013. Houve um aumento de 3,6% de miseráveis no País. Exatos 371.158 brasileiros, segundo o PNAD e IPEA. Estes números, esta realidade, tudo o que acontece de verdade está sendo mascarado, fantasiado pelas propagandas do Governo Federal.

6- Fortalecimento do policiamento nas fronteiras: Ora, o PT tem contato direto com as Farcs e vários outros grupos envolvidos com o tráfico de drogas. Inegável, pois muito já se publicou, inclusive em fotos e vídeos, sobre encontros de petistas da alta cúpula com líderes deste grupos. O tráfico de drogas, assim como o contrabando de diversas mercadorias aumentou consideravelmente no Brasil. Basta caminhar pelas feiras de qualquer cidade e você terá a oportunidade de conhecer a verdade. Imigrantes ilegais só não são tão vistos porque passam a maior parte do tempo escondidos, muitos recebendo Bolsa Família. Ou seja, o governo sabe da existência deles, nós sabemos, eles são sustentado com o dinheiro do contribuinte brasileiro e Dilma ainda diz que vai aumentar policiamento em fronteira. Mais uma tentativa frustrada de enganar o povo.

7- Redução de impostos: Mais forte que o chute no saco foi a paulada no estômago que o brasileiro levou menos de uma semana depois das eleições. Dilma simplesmente aumentou a taxa de juros sem qualquer pena do contribuinte. Tudo fica mais caro. E o próximo tema veio pendurado neste.

8- Redução dos tributos sobre energia elétrica: Sem qualquer vestígio de vergonha na cara, no mesmo período do anúncio de aumento na taxa de juros, o brasileiro foi psicologicamente estuprado com o aumento na conta de energia elétrica. Em alguns Estados, como no Pará, o aumento chega a 46%. 

9- Integração do Rio São Francisco: Novela mexicana. Bilhões falsamente investidos em uma obra que já deveria ter sido concluída e agora não tem prazo para isso. Um dos maiores rombos nos cofres públicos federais da história tupiniquim. O povo do Nordeste passa fome, sede e o chefão Lula ainda tem a cara de macacaúba para afirmar no estrangeiro que o Brasil não perde para países europeus em desenvolvimento. Não sei quem mente mas. O molusco ou a anta.

10- Modernização e construção dos portos e aeroportos: Uma dúvida: Porquê no Brasil a modernização e construção de e aeroportos aeroportos veio em forma de promessa e em Cuba as obras já ficaram prontas? Seria o tiro de misericórdia na inteligência do brasileiro?
O que ainda pode piorar... Agora o velho Mujica veio pedir auxílio do Brasil para construir portos no Uruguai, também. Acho que estamos financiando o desenvolvimento de todos os países da América do Sul, menos do nosso. Só acho.

Não sei se ainda podemos esperar o início da próxima gestão de Dilma para reavaliar seu trabalho. O Brasil já entrou em crise e é extremamente necessário que algo seja feito para impedir que mais dinheiro público desça pelo ralo, deixando os brasileiros na miséria citada anteriormente e envergonhando o nome República Federativa do Brasil no resto do mundo.


Elielson Rezende.

domingo, 29 de junho de 2014

DESPEJADOS PELA COPA AINDA NÃO RECEBERAM INDENIZAÇÃO

Primeira foto, tirada do Google Maps, mostram como era trecgo do Loteamento São Francisco de Timbi antes das casas serem desapropriadas. As casas do lado esquerdo já foram derrubadas para passagem do Ramal da Copa e expansão do TI Camaragibe (Foto: Luna Markman/G1)E teve gente acreditando que receberia alguma coisa.

As indenizações ainda não foram pagas aos que tiveram suas casas derrubadas por causa das obras para a Copa do Mundo.
Em Pernambuco, o evento já acabou. Não haverá mais jogo.

E quem ficou esperando seu dinheiro continua com os bolsos vazios.

Quem vai pagar? FIFA ou Governo Federal?

A única certeza é que este foi mais um calote sem vergonha contra o povo brasileiro.

Moradores perderam casas para obras no TI Camaragibe e Ramal da Copa.
Expansão de terminal nem foi licitada; via não ficou completa para Mundial.


Não há bandeiras do Brasil nas casas que sobraram no Loteamento São Francisco do Timbi, em Camaragibe, uma das áreas que foi alvo de sucessivos despejos devido a obras da Copa do Mundo no Grande Recife. Só um outdoor e ônibus lotados de torcedores, que passam com destino à Arena Pernambuco em dias de jogos, lembram que o evento ocorre perto dali. Famílias da região perderam seus imóveis para possibilitar a passagem dos ônibus BRTs [Bus Rapid Transit] e acesso ao Terminal Integrado [TI] Camaragibe, que ainda não foi feito. A expansão do TI, que também estava programada, nem sequer foi licitada. O processo, conduzido pelo governo estadual, foi criticado por entidades sociais. No loteamento, 9,17% das famílias não receberam a indenização. Neste domingo (29), o estado recebe o último jogo do Mundial e área, que sofreu desapropriações, está vazia e vira um verdadeiro lamaçal em dias de chuva.

Era nessa região que morava há 35 anos a aposentada Aurenir da Costa, 75 anos. Perto da antiga residência tinha a igreja, o frigorífico, o posto de saúde, a barraca de fruta que frequentava, além de um ponto do ônibus. O filho desempregado usou parte do terreno para montar uma sorveteria, que depois virou uma padaria. Ela conta que chegou a participar de uma reunião onde foi avisada sobre o despejo, mas afirma que a data não ficou acertada.
"No fim de 2013, chegaram dizendo para eu fazer o possível e impossível para sair de casa em três dias. Consegui alugar uma casa e, até agora, recebi 80% da indenização. Com esse dinheiro, só consegui comprar um lugarzinho para o meu filho. Passei a tomar remédios contra depressão por causa disso tudo que estou vivendo, e as obras nem terminaram. Meus netos querem nem saber da Copa", lamenta.
A primeiro foto, retirada do Google Maps, mostra outro trecho de Camaragibe onde ocorreram desapropriações para passagem do Ramal da Copa (Foto: Luna Markman/G1)A primeira imagem, do Google Maps, retrata outro trecho do Timbi antes das desapropriações para o Ramal e expansão do TI. Atualmente, quando chove, área vira lamaçal (Foto: Luna Markman/G1)
A Secretaria das Cidades informou que a área passou por uma adequação para possibilitar o tráfego de veículos. "Futuramente, algumas mudanças serão realizadas, como a construção de duas faixas, ligando o acesso do Ramal da Copa ao TI Camaragibe. Até o final do ano, as mudanças acontecerão", explia a Secretaria em nota. O órgão também garantiu que pretende iniciar as obras de expansão do TI Camaragibe ainda este ano.

Próximo ao Loteamento São Francisco do Timbi, outras famílias foram despejadas para obras do Corredor Leste-Oeste e do Ramal da Copa, entregues incompletos dias antes do início da competição. O coordenador de montagem Marcos Santos, 38 anos, perdeu metade do terreno de um hectare (tamanho de um campo de futebol), onde "nasceu e se criou", para abrir caminho ao Ramal da Copa, em Camaragibe, e até a última sexta (27) não tinha recebido nenhuma parcela da indenização.
Marcos e esposa Ana Paula lamentam saída do Timbi sem indenização (Foto: Luna Markman/G1)Marcos e esposa Ana Paula lamentam saída do Timbi
sem indenização (Foto: Luna Markman/G1)
"Depois que tiraram a terra de nós, colocaram um valor baixo por ela. O nosso caso está na Justiça e queremos agilidade, porque não recebi nada. Acho que é descaso, porque já apresentei toda a documentação. Preciso do dinheiro para construir uma casa nova. Estou morando de favor na casa da minha sogra e meus pais estão morando de improviso num cômodo com banheiro, sem água, no que restou do terreno. Não tem o que torcer nessa Copa, ela só trouxe desgraça e tristeza para nós", disse.

Expectativa
Em setembro de 2011, faltando mil dias para a Copa do Mundo, a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa-PE) apresentou, em coletiva, o Ramal da Copa. Com 6,3km de extensão, a nova via iria da Avenida Belmino Correia (continuação da Avenida Caxangá, no Recife), próximo ao TI de Camaragibe, até a Cidade da Copa (projetada para 2025) e a BR-408, onde fica a Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata.

O ramal seria composto por uma pista exclusiva para BRT (Bus Rapid Transit) e duas para carros, em cada sentido, passando pelo TI Cosme Damião, incluindo a construção de quatro obras de arte especiais (nome técnico dos túneis e viadutos) e uma estação. Depois, foi incluída uma ciclofaixa. A obra, na ocasião, estava em licitação, orçada em R$ 180 milhões, sendo R$ 81 milhões do governo estadual e R$ 99 milhões do governo federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Copa. A data de início do serviço estava prevista para novembro de 2011 e a conclusão, maio de 2013.
Ramal da Copa só com duas faixas, sem acostamento (Foto: Luna Markman/G1)Ramal da Copa passa por Camaragibe só com duas faixas
e não tem acostamento (Foto: Luna Markman/G1)
Realidade
No primeiro jogo em Pernambuco, em 14 de junho, entre Costa do Marfim e Japão, os torcedores só puderam pegar o novo BRT nas duas únicas estações que ficaram prontas das 21 projetadas para o Corredor Leste-Oeste, que parte do Centro do Recife até a Avenida Belmino Correia. A rapidez e o conforto da viagem foram elogiados. No entanto, o tão famoso legado não será entregue à população 100% pronto, após o fim do Mundial.

A pista possui apenas duas faixas, em sentidos contrários, que servem exclusivamente ao BRT em dias de jogos na Arena. O ônibus, inclusive, não faz todo o percurso pelo Ramal. Atualmente, ainda tem que passar pelo Centro de São Lourenço da Mata. Não há acostamento e, segundo Marcos Santos, as luzes dos postes só acendem quando há partidas, gerando um clima de insegurança.

A Secretaria das Cidades informou que as obras terão continuidade após o término da Copa, com previsão de conclusão até o fim deste ano. A pasta não enviou resposta ao G1 sobre o motivo do atraso na obra nem o orçamento final do projeto.

Desapropriação criticada
A Secretaria Executiva de Desapropriações (Sedes) contabiliza 459 desapropriações para obras da Copa do Mundo no Recife e Região Metropolitana, totalizando R$ 102.528.738,48 [veja tabela abaixo]. Segundo o órgão, a maior parte dos imóveis residenciais desapropriados estava localizada na área de implantação do Ramal da Copa, especificamente no Loteamento Santos Cosme e Damião (38 imóveis), no bairro da Várzea, Zona Oeste do Recife, e no Loteamento São Francisco do Timbi (55 imóveis), em Camaragibe.
Desapropiações no Grande Recife para obras da Copa 2014
CidadeNúmeroObras
Recife298Ramal  da Copa, TIs Camaragibe e Cosme e Damião e Corredor Leste-Oeste
Camaragibe123Ramal da Copa, TI Camaragibe e Corredor Leste-Oeste
Olinda38Corredor Norte e Sul
Fonte: Secretaria Executiva de Desapropriações de Pernambuco
A mestranda em antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Alice Bezerra de Mello acompanhou as desapropriações em Camaragibe ainda durante a graduação em Ciências Sociais, por conta do projeto de conclusão do curso, que abordava o assunto. Além disso, ela também participa do Comitê Popular da Copa, grupo que acompanhou o desenrolar das obras e suas consequências junto à população.

Mello conta que quando chegou ao loteamento, ainda em 2012, as casas estavam em pé e ficou impressionada com a forma como os moradores foram comunicados sobre os despejos. "O governo contratou uma empresa terceirizada para fazer o serviço, mas eles só colocaram adesivos nas casas que seriam desapropriadas e não passaram informações precisas, como a data para sair e o valor das indenizações. O que preocupa é que a Copa começou a ser planejada em 2007 e não houve planejamento para essas famílias, como habitacionais ou doação de terreno. O que foi dado foi uma indenização insuficiente para as pessoas comprarem imóveis iguais aos que tinham", disse.

Mello também critica a falta de assistência às famílias e ainda denuncia a morte de sete pessoas em decorrência do processo desgastante das desapropriações. "Hoje, há famílias que não receberam o dinheiro porque a ação ainda está na Justiça. O que eu percebi é que a moradia delas piorou, passando para aluguel, casa de parentes. A indenização não suficiente para eles serem capazes de refazer vida, e não foi só a casa que eles perderam, foi o posto de saúde, a escola das crianças, a convivência com os vizinhos", relata.

Em novembro do ano passado, o G1 acompanhou a visita da relatora especial das Nações Unidas para o Direito à Moradia, Raquel Rolnik, ao Loteamento São Francisco de Timbi. A relatora saiu do local com a opinião de que Pernambuco estava "produzindo sem-tetos". Na ocasião, a secretária executiva estadual de Desapropriações, Analúcia Cabral, assegurou que uma série de ações foram realizadas para orientar e esclarecer os afetados sobre as desapropriações, como audiências públicas, com condução de uma equipe multidisciplinar.
Em 2013, durante visita da relatora da ONU a Camaragibe, o G1 entrevistou o mecânico Nelson Gregório, que estava sendo desapropriado e ainda não tinha recebido a indenização (Foto: Luna Markman/G1)Em 2013, durante visita da relatora da ONU a Camaragibe, o G1 entrevistou o mecânico Nelson Gregório, que mostrou adesivo colado na porta da casa de onde teria que sair para as obras da Copa (Foto: Luna Markman/G1)
Pagamento das indenizações
A Sedes informou que o valor ofertado a título de indenização pelo Estado já foi depositado integralmente nos processos judiciais, dependendo tão somente da liberação dos valores pela Justiça. Em relação às famílias desapropriadas no Loteamento São Francisco do Timbi, em Camaragibe, o órgão afirma que 44,18% dos expropriados já receberam 100% dos valores devidos; 28,68% receberam 80% dos valores ofertados; 17,95% receberam outros valores; e 9,17% não receberam nenhum valor indenizatório até o momento, o que representa, em números, nove casos.

Sobre esses casos, a Sedes informa que essa impossibilidade de pagamento decorreu da ausência dos requisitos legais exigidos dos expropriados para a quitação desses valores. A liberação desses recursos cabe ao Poder Judiciário, mediante comprovação de propriedade dos imóveis e a regularização fiscal dos tributos incidentes sobre o bem expropriado. O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e a Defensoria Pública do Estado estão em recesso até a próxima segunda-feira (30).


Com informações do G1.