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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Bate-boca generalizado interrompe sessão na Câmara

O nível de tensão continua elevado na Câmara dos Deputados durante a votação da medida provisória 665/2015, que restringe o acesso ao seguro-desemprego e ao abono salarial. Em vários momentos, parlamentares bateram boca. No mais tenso deles, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) anunciou que vai levar Roberto Freire (PPS-SP) ao Conselho de Ética. Motivo: ele segurou o braço dela durante uma discussão.
Manifestantes jogam cédulas parecidas com dólares com o rosto de integrantes do PT, incluindo ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff, durante votação da PEC do ajuste fiscal na Câmara - 06/05/2015
Manifestantes jogam cédulas parecidas com dólares com o rosto de integrantes do PT, incluindo ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff, durante votação da PEC do ajuste fiscal na Câmara - 06/05/2015(Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)
A briga teve início quando Orlando Silva (PCdoB-SP) pediu que a Câmara consultasse as imagens do circuito interno de TV para tomar ações judiciais contra os manifestantes que atiraram "notas de dólar" com o rosto da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Lula e do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.
Em seguida, o deputado Roberto Freire (PPS-SP) criticou a postura de Silva, que se omitiu quando sindicalistas ligados à CUT agrediram o deputado Lincoln Portela (PR-MG) em um protesto contra a lei da terceirização.
Os dois, separados por um curto espaço, passaram a discutir asperamente. Roberto Freire tocou as costas do parlamentar do PCdoB por duas vezes. Orlando Silva reagiu: "Não toque em mim!". Jandira Feghali (PCdoB-RJ) se aproximou e Freire segurou o braço dela durante a discussão. A deputada comunista considerou o ato uma agressão e disse que vai levar o caso ao Conselho de Ética.
No meio da discussão, o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) defendeu Freire: "Mulher que vem para a política e bate como homem tem que saber apanhar como homem". Diante de reações exaltadas, o parlamentar ainda desafiou: "Não tenho medo desse tipo de atitude. E aqueles que são mais valentes, me procurem logo após".
Roberto Freire minimizou o episódio e contou sua versão da história: "A deputada Jandira entrou (na discussão) e eu a tirei. Pode até ter sido um pouco com força", admitiu ele. Freire não vê do que se retratar, mas ainda assim pediu desculpas e disse que não agiu com a intenção de agredir.
O presidente da Câmara interrompeu a sessão por cinco minutos por causa da confusão. Foi a segunda vez que a votação foi interrompida. A presidência da Casa já havia suspendido os trabalhos para que a segurança esvaziasse as galerias depois da "chuva de dólares".

Veja

segunda-feira, 13 de abril de 2015

MANIFESTAÇÃO CONTRA DILMA É NOTÍCIA NO MUNDO

Confira o que as principais fontes de notícias do mundo exibiram nos seus sites:

Na página da CNN sobre as Américas:

"Multidões de manifestantes encheram as ruas das principais cidades brasileiras, no domingo, incitando o impeachment da presidente Dilma Rousseff".




No site do The New York Times:

"Manifestantes se reuniram no Rio de Janeiro para se opor a presidente Dilma Rousseff, que tem um índice de aprovação de 13 por cento".




The Guardian:

"Líderes de esquerda no Brasil, Argentina e Venezuela estão sendo derrubados por dissidência e economia estagnada. Governança fraca e oposição da mídia e elites financeiras já enfraqueceram sua popularidade".








Elielson Rezende, com informações de NYT, The Guardian e CNN.

domingo, 12 de abril de 2015

A revolução dos coxinhas - entenda o apelido e a ignorância petista

Num misto de deboche e ofensa, o termo 'coxinha' passou a ser usado pela máquina de propaganda petista para se referir à heterogênea massa de brasileiros que sai às ruas para protestar contra o partido e a presidente Dilma Rousseff. A palavra que na gíria paulistana costumava designar 'bons moços' - aqueles que sempre seguem as regras - agora é empregada com o objetivo de se referir pejorativamente ao que o PT chama de elite. Mas, afinal, quem são os coxinhas que decidiram externar sua insatisfação com o governo? "Estamos na rua para lutar contra a corrupção e também para mostrar que não existe divisão no país, não há uma classe inimiga", define o empresário Marcelo Macedo, de 39 anos, um dos muitos coxinhas que não temem o apelido - pelo contrário, o assumem com orgulho. Os coxinhas querem se fazer ouvir.
Bem longe de baterem panelas de grife francesa em suas varandas gourmet, os coxinhas protestam aos domingos, como gostam de salientar, porque trabalham nos outros dias da semana. E não sem razão perderam a paciência com o governo petista: a classe média é um dos extratos sociais mais afetados pelo resultado desastroso das práticas econômicas intervencionistas adotadas por Dilma em seu primeiro mandato - que agora resultam em inflação acima da meta e estagnação econômica.
Macedo afirma que o 'basta' que levou o grupo para as ruas é resultado de doze anos de governo em que o PT relegou aos críticos o papel de vilão - e de inimigo daqueles que, beneficiados por políticas sociais, deixaram a linha da miséria ao longo desse período. O coxinhas se cansaram do deboche e das tentativas de deslegitimação de seus pleitos. Por isso, uniram-se para protestar. "O Lula cresceu politicamente fazendo a massa humilde acreditar que existia uma classe do mal que não queria o crescimento do Brasil, e isso deu certo. Uma determinada parcela da população foi desmoralizada e está indignada com isso", diz o empresário.
Os críticos do governo mobilizam-se em grupos nas redes sociais para discutir a atual situação do país - um engajamento político até então adormecido e que engrenou durante as eleições presidenciais do ano passado. A princípio, em uma tentativa de angariar votos para o candidato Aécio Neves (PSDB-MG), os coxinhas usaram as redes para organizar manifestações. Passadas as eleições, os grupos continuam na ativa e levaram mais de 1 milhão de brasileiros às ruas em 15 de março. Como se viu na ocasião, seja nas redes ou nas ruas, os coxinhas estão muito longe de usar apenas camisas bordadas com enormes brasões de times de polo ou defender a intervenção militar. É fácil perceber que não passa de uma rasa caricatura a tentativa de associar o termo 'coxinha' ao estereótipo do tipo rapaz engomadinho ou reacionário.
Engajamento à parte, o apelido também causa constrangimento. Os líderes dos movimentos Vem Pra Rua e Brasil Livre, Rogerio Chequer e Kim Kataguiri, respectivamente, recusaram os pedidos de entrevista do site de VEJA para tratar do tema. Alguns coxinhas assumidos nas redes sociais também se recusaram a falar publicamente sobre o assunto. No Facebook, apenas uma comunidade enaltece o "orgulho coxinha". Outras quatro, ao menos, fazem piada com a caricatura reacionária atribuída ao apelido.
Não se sabe ao certo como o nome do salgadinho entrou para o vocabulário político. Na internet, se acumulam suposições. Uma delas, por exemplo, diz que na origem de tudo estaria uma gíria para se referir a policiais. Eles são chamados de "coxinhas" em alusão ao valor do vale-refeição que lhes permite comer apenas salgados baratos no horário de trabalho: o vale-coxinha.
Até mesmo a origem da coxinha no Brasil é um mistério. Há um folclore, porém, em torno da história da massa frita recheada com frango desfiado quem tem como protagonista a princesa Isabel e foi narrado pela pesquisadora Maria Nadir Cavazin no livro Histórias e Receitas - Sabor, Tradição, Arte, Vida e Magia (Sociedade Pró-Memória de Limeira, 2000). Segundo a publicação, o salgado teria surgido de um improviso da cozinheira da princesa Isabel para agradar ao filho que ela teve com o Conde D'Eu. A criança só comia coxas de galinha e, na falta do ingrediente, a cozinheira reproduziu sua forma com uma massa recheada com restos desfiados da carne.
O improviso teria ganho fama após a visita da imperatriz Tereza Cristina e do imperador Dom Pedro II à residência da família, a Fazenda Morro Azul, na cidade de Limeira, no interior de São Paulo, no fim do século XIX. A imperatriz experimentou e gostou tanto da invenção que passou a servi-la nas recepções reais. Ao longo da história, a suposta origem nobre não atrapalhou a natureza democrática da coxinha. Do paladar para a política, espera-se que o salgado siga a mesma trajetória.

Veja.

sábado, 11 de abril de 2015

Brasil volta às ruas neste domingo

Menos de um mês depois de enfrentar o maior protesto popular da democracia brasileira, a presidente Dilma Rousseff volta neste domingo a ser alvo de uma série de manifestações contrárias a seu governo em todo o país. A mobilização tem o apoio de 75% dos brasileiros, segundo o Datafolha. Pesquisa divulgada neste sábado pelo instituto indica que 63% dos brasileiros são favoráveis à abertura de um processo de impeachment contra a presidente por causa do escândalo do petrolão. Para 57% dos entrevistados, Dilma sabia do esquema de corrupção na Petrobras e deixou que ele acontecesse.
Se levaram mais de 2 milhões de pessoas às ruas em 15 de março, os organizadores dos protestos buscam neste domingo mais do que uma numerosa adesão nas grandes capitais: o foco agora é espalhar os atos por mais cidades brasileiras, sobretudo no Norte e Nordeste, tradicionais redutos eleitorais petistas. Na avaliação dos movimentos Vem pra Rua e Brasil Livre, dois dos principais grupos por trás dos atos, a mobilização de mais brasileiros nessas regiões representará um golpe ainda mais duro contra o governo, além de lançar por terra o argumento petista de que as manifestações são uma tentativa de terceiro turno, protagonizada pela "elite" do Sul e Sudeste.
Em 15 de março, segundo a Polícia Militar, houve 1 milhão de pessoas nas ruas de São Paulo. Outras 200.000 protestaram em Porto Alegre e Vitória. Já as nove capitais do Nordeste somaram 75.000 manifestantes. Embora menor, o número é expressivo tendo em vista que que a presidente Dilma obteve 70% dos votos na região nas eleições do ano passado. Não à toa, os organizadores das manifestações buscaram desde março expandir sua área de atuação no país, formando células sobretudo no Norte e Nordeste. Se, em 15 de março, eram 241 as cidades com atos confirmados, agora são 413 - a maioria dos novos municípios, nas duas regiões. "O nosso objetivo não é ficar batendo recordes de pessoas nas ruas, mas ter representatividade em mais lugares", diz Rogério Chequer, líder do Vem pra Rua.
O sucesso das manifestações de 15 de março também é responsável pelo aumento das cidades com protestos confirmados. De lá para cá, grupos insatisfeitos com o governo e defensores de ideias liberais entraram em contato com, ou foram procurados por, MBL e Vem pra Rua para convocar atos em suas respectivas localidades. Para integrar o movimento, eles se submetem a um processo que atesta seu alinhamento com a pauta dos movimentos. "Faço num primeiro momento perguntas básicas que se adequem à nossa ideologia liberal, coisas como 'Qual sua opinião sobre a privatização da Petrobras?'. Caso a pessoa se pronuncie contrária às privatizações, ela é descartada na hora. Também entro no mérito do assistencialismo e cotas, tanto raciais como sociais", explicou Caíque Mafra, coordenador do Brasil Livre e responsável por arregimentar os grupos em outros Estados.
Depois de passar por essa fase, os novos integrantes do MBL recebem uma planilha em Power Point instruindo-os a atuar nas redes sociais e a angariar recursos para realizar um protesto. A comunicação entre as lideranças nacionais e regionais se dá quase que diariamente pela internet. Um dos líderes nacionais do Brasil Livre, Renan Haas, relata que grupos ligados a partidos de oposição já tentaram "se apropriar" do movimento em alguns lugares, mas, segundo ele, foram rechaçados assim que descoberta a filiação partidária. "Nós tentamos evitar ao máximo os oportunistas, mas às vezes eles aparecem. Não tem jeito", afirma.
Diferenças - Os grupos do Nordeste se diferenciam dos do Sudeste em alguns aspectos. Os mais evidentes são o perfil menos ideológico dos manifestantes e a incorporação de pautas locais às reivindicações tradicionais de destituir a presidente do poder e do combate à corrupção.
"Nossos manifestantes não são tão politizados quanto os do Sudeste. Eles não se atêm a temas ideológicos, como o Foro de São Paulo, socialismo, ou Cuba. Para eles, a coisa pega quando aperta no bolso. O que os influenciou foi principalmente o aumento das tarifas de luz e gasolina, o aumento do desemprego e a alteração nos direitos trabalhistas", afirma Paulo Angelim, líder do Vem pra Rua no Ceará. Fortaleza, capital do Estado, registrou em 15 de março o maior protesto no Nordeste: 25.000 pessoas. Ele também cita a promessa feita pelo governador Camilo Santana (PT) durante campanha eleitoral - agora descartada pela Petrobras - de que construiria uma refinaria no Estado como um dos gatilhos que levaram a população às ruas. "Isso se revelou um grande embuste eleitoreiro. E repercutiu negativamente entre o povo, que se sentiu traído", acrescenta. "O governo nos acusou na primeira manifestação de sermos eleitores frustrados. Na verdade, os atos estão sendo feitos aqui por eleitores arrependidos", afirma.
O mesmo ocorre em cidades da Bahia, onde os manifestantes saíram às ruas para pedir melhorias nas áreas de segurança, por exemplo. "O governo de Jaques Wagner (PT) foi muito ruim principalmente na questão da segurança pública. A ideia do impeachment vingou com reivindicações de ordem municipal. As lideranças das cidades sempre enfatizam que querem protestar contra administração do PT nos municípios", afirmou Ricardo Almeida Mota Ribeiro, líder do MBL na Bahia.
As lideranças nacionais veem no Norte e Nordeste regiões potenciais para ampliar sua influência. "No Centro-Sul, o movimento já cresceu bastante. No Nordeste, isso ainda é novidade. Por isso, estamos muito focados nisso, em ver a base de Dilma na região ruir", avaliou Renan Haas, do Brasil Livre.
Novos grupos - No Sudeste, somam-se a esses grupos movimentos criados depois do 15 de março. O maior exemplo está em São Paulo: na reunião entre lideranças dos protestos e a PM, compareceram quatro entidades a mais do que no encontro passado - Acorda Brasil, Movimento 15 de Março, Quero me Defender e União Nacionalista Democrática. Criado há cerca de vinte dias, o Movimento 15 de Março é formado por remanescentes do Vem pra Rua e do Brasil Livre. Agora, os movimentos originais terão de dividir o espaço da Avenida Paulista, no Centro de São Paulo.

Veja