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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

P.H. GANSO ESTÁ SEM FUTURO. NENHUM TIME SE INTERESSA PELO JOGADOR.

Queimado na seleção. Sem interesse de clubes europeus. Nem dos brasileiros. O talentoso Ganso só tem o Santos, pelo qual não queria mais jogar. É o preço por agir como um menino e deixar intermediários decidirem sua vida…


A cena foi explícita.
Terminava mais um treinamento da seleção na Inglaterra.
Todos os jogadores cobraram pênaltis.
Mano Menezes queria deixar o time todo preparado para uma possível decisão.
Mais uma vez, Paulo Henrique Ganso preferiu ficar sentado no banco.
Conversando com o diretor de seleções, Andrés Sanchez.
E fazendo embaixadas com a bola, sentado, para deleites de alguns fotógrafos.
O repórter da TV Record Roberto Thomé foi ágil e no ponto.
Correu até o médico José Luís Runco e perguntou:
"Por que Ganso não treina pênaltis como os outros?"
Runco olhou pra Thomé e respondeu de uma maneira curta.
"Ele não bate porque não quer.
Não bate porque não quer", repetiu, virou as costas e saiu andando.
A raiva de Runco com a pergunta era evidente.
A reação do médico não era com o jornalista.
Mas pela desconfiança que Paulo Henrique jogou sobre o departamento médico da seleção.
Sobre o próprio Mano Menezes, que acabou por cortá-lo da partida contra a Suécia.
E que fará esquecê-lo das próximas chamadas.
A comissão técnica se cansou da instabilidade emocional do jogador.
Mano não o cortou das Olimpíadas para evitar outro trauma, além do provocado pelo corte de Rafael.
Ganso não cobrava pênaltis ou faltas porque não tinha confiança.
Tinha receio, medo de que seu 'desconforto' na coxa direita virasse uma distensão.
Esse desconforto fez com que não ficasse nem no banco da partida contra a Nova Zelândia, na primeira fase.
Fez um exame de ressonância magnética que nada apontou.
Mas continuou sentindo o tal desconforto.
Experiente em pós-operatórios, já passou por quatro cirurgias nos joelhos, o meia acreditava correr risco.
Tinha certeza que, se batesse forte na bola, poderia sofrer uma distensão.
Por mais que Runco dissesse que ficasse tranquilo, Ganso não quis arriscar.
Mano acompanhou toda a situação calado.
Porém sabia ter um jogador que não poderia contar.
Na sua avaliação, pelo bem do grupo, não houve o corte.
Abriu mão de maneira consciente de contar com um empolgado e saudável Giuliano.
Mas o técnico não teve dúvidas em despachar Ganso ao Brasil assim que acabou a disputa na Inglaterra.
O meia percebeu a péssima situação em que se encontra.
Se queimou na seleção.
Os empresários do grupo DIS não conseguiram vendê-lo para o exterior.
Diante da quarta cirurgia e do fraco futebol, os dirigentes do Porto não cumpriram a promessa de levá-lo.
Eles tinham jurado no final do ano que viriam buscar o meia.
Até mesmo a direção do Internacional recuou na ideia de bancar R$ 500 mil por um contrato de quatro anos.
O atual momento do jogador não recomenda.
Nem mesmo o Corinthians que tanto desejou o jogador também não quer a aposta de alto risco.
Por duas vezes, Ganso, por medo da reação da torcida santista, não aceitou ir para o Parque São Jorge.
Agora nada estimula sua contratação.
Desgastado, o jogador está sem rumo.
E vê como única solução seguir sua vida onde amigos próximos juraram que não queria.
No Santos Futebol Clube.
A solução foi engolir o orgulho e pedir para Muricy escalá-lo contra o Figueirense na quinta-feira.
Tem pressa.
Quer mostrar ao mundo do futebol que ainda merece confiança.
E não vê outra saída a não ser continuar a receber o salário de R$ 135 mil.
Menos de 5% dos R$ 3 milhões que recebe Neymar.
Se em 2010 essa proporção parecia bizarra
Hoje ela é coerente.
Paulo Henrique Ganso encolheu.
Por motivos alheios à sua vontade, como as cirurgias que sofreu.
E outros pela falta de coragem de escolher um rumo e seguir em frente.
Seus empresários acabaram por jogá-lo no centro de um furacão.
Ligados ao ex-presidente Marcelo Teixeira, eles o jogaram contra Luis Alvaro.
Parecem ter esquecido que Ganso tem contrato até 2015 com o Santos.
E não conseguiram uma proposta de no mínimo de R$ 30 milhões para os 45% do meia que pertencem ao clube.
Ninguém quis arriscar tanto dinheiro.
Agora o meia teve de buscar guarida no lugar de onde queria sair.
O próprio Luis Alvaro confirmou que ele não desejava mais vestir a camisa santista.
É surreal.
Não bastasse toda essa confusão, o jogador acaba de ser pai, sem estar casado.
É muita pressão para um garoto de apenas 22 anos.
Seu futuro parecia brilhante.
Hoje virou uma incógnita.
Com as portas da seleção fechadas.
Sem interesse dos grandes clubes europeus.
Mesmo os brasileiros não estão dispostos a grandes investimentos por ele.
Ganso é o retrato da falta de um plano de carreira.
Acabou engolido pela volúpia dos seus empresários.
E da sua própria falta de atitude, de personalidade.
Deveria ter tomado a iniciativa de uma conversa franca com Mano.
Com Luis Alvaro.
Mas deixou sua vida nas mãos de intermediários.
E agora sofre com isso.
Aprendeu uma amarga lição.
A camisa 10 do Santos não pode ser vestida por um menino sem rumo.
Nem a do Internacional ou a do Corinthians.
Muito menos a da seleção brasileira...


Cosme Rímole, R7.com

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